A quebra de patente de medicamentos emagrecedores pode gerar uma economia de aproximadamente R$ 70 bilhões para o Sistema Único de Saúde (SUS), segundo o deputado federal Mário Heringer (PDT-MG), autor do requerimento de urgência para análise do projeto de lei que declara de interesse público os medicamentos Mounjaro e Zepbound.
Em entrevista ao Live CNN, Heringer argumentou que, além dos benefícios individuais para os pacientes, a disponibilização mais ampla desses medicamentos representaria uma significativa redução de custos para o sistema público de saúde em termos de internações, cirurgias e tratamentos de comorbidades relacionadas à obesidade.
“Isso, além de ser bom para as pessoas, vai gerar em torno de 70 bilhões de economia para o SUS. Eu estou dizendo só do SUS, não estou falando do particular, da saúde suplementar, de economia em termos de internação, de cirurgia, entre outras coisas”, afirmou Heringer.
O deputado, que também é médico, compartilhou sua experiência pessoal com o uso de medicamentos para emagrecimento, relatando que perdeu 12 quilos e obteve melhorias significativas em seus indicadores de saúde. “Eu tomava medicamento, mas minha pressão arterial voltou ao normal. O meu triglicerídeo era 1.400, eu caí para 200. O meu colesterol era 800, eu caí para 180. Eu tinha apneia do sono, acabou”, declarou.
Segurança dos medicamentos
Sobre os recentes alertas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) relacionados a possíveis riscos dos medicamentos, como casos de pancreatite, Heringer argumentou que os benefícios superam os riscos. Ele destacou que as notificações de problemas abrangem um período de cinco a seis anos e incluem diversos tipos de medicamentos, não apenas os específicos citados no projeto.
“A própria Anvisa disse que é muito pequeno o problema para se tirar, se rifar do tratamento”, defendeu o deputado, acrescentando que muitas das complicações relatadas podem estar associadas a outras comorbidades preexistentes nos pacientes.
Heringer também contestou argumentos contrários à quebra de patentes, afirmando que o custo de produção desses medicamentos é relativamente baixo. “A alegação de que não pode quebrar patente, que diz que estimula as grandes empresas de pesquisa, ele não estimula nada. O custo desses medicamentos é muito barato”, declarou.
O deputado alertou ainda para a previsão de que o Brasil pode se tornar o país mais obeso do mundo até 2030 or 2032, ultrapassando os Estados Unidos, o que, segundo ele, torna urgente a ampliação do acesso a tratamentos eficazes contra a obesidade. “Nós não podemos esperar”, concluiu.
