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    Paciente mais jovem do país a receber polilaminina relata movimento nas mãos: ‘Não mexia antes’

    plastica famososBy plastica famososFebruary 8, 2026No Comments8 Mins Read
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    Paciente mais jovem do país a receber polilaminina relata movimento nas mãos
    O paciente mais jovem a receber a polilaminina no Brasil e o primeiro de Mato Grosso do Sul, Luiz Otávio Santos Nunez, de 19 anos, relatou ao g1 que voltou a movimentar a ponta de um dos dedos da mão 12 dias após a aplicação da proteína, que ocorreu no Hospital Militar de Campo Grande. Veja o vídeo acima.
    Luiz Otávio é militar do Exército Brasileiro e ficou tetraplégico após um acidente com arma de fogo em outubro do ano passado. Para ter acesso ao medicamento, ainda em fase experimental, ele precisou recorrer à Justiça. A proteína está em estudos clínicos na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
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    “É algo mínimo, é um movimento pequeno, só que é algo que eu não via antes. E eu tinha comentado com a minha mãe que eu não conseguia mexer a ponta do dedo indicador igual mexia dos outros dedos, e agora [desde o último domingo (1)] eu consigo mexer a ponta”, enfatizou Luiz Otávio.
    ➡️A polilaminina vem sendo estudada há mais de 20 anos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O composto é uma versão recriada em laboratório da laminina, proteína presente no desenvolvimento embrionário e ajuda os neurônios a se conectarem (leia mais abaixo).
    🔎Em lesões na medula, como a de Luiz Otávio, os sinais elétricos do cérebro deixam de chegar ao corpo porque as fibras nervosas são rompidas. A atuação da polilaminina é ajudar essas fibras a crescer novamente e restabelecer parte da comunicação.
    O jovem também disse que passou a sentir movimentos nos nervos das pernas, que foram afetadas e perderam a sensibilidade e movimentação após o acidente. A fisioterapia tem sido essencial para a auxiliar na recuperação de Luiz Otávio.
    “Eu concentro para tentar mexer e eu vejo esses nervos trabalhando”, diz o jovem.
    Infográfico mostra a linha do tempo do acidente ao tratamento de Luiz Otávio.
    Arte/g1
    Esperança após início do tratamento
    Jovem relatou ter movimentado os dedos após aplicação de proteína.
    João Carlos Corrêa/TV Morena
    A recuperação parcial do movimento trouxe a Luiz a esperança de que o medicamento seja aprovado e possa ajudar a recuperação dele e de outras pessoas que enfrentam a mesma situação.
    “Espero que seja aprovado porque depois que sofri o acidente, por mais que eu acreditasse que voltaria a andar, ainda era difícil e, depois que recebi a proteína a esperança mudou”, comenta Luiz Otávio.
    A expectativa também é sentida pela mãe do jovem, Viviane Goreti Ponciano dos Santos, que ficou sabendo da proteína por reportagens que abordaram o assunto.
    “Desde o início os médicos nos deixaram cientes de que o tratamento dele seria longo e a possibilidade dele voltar a andar ou recuperar os movimentos seria muito longa. Mas vimos a partir de outros exemplos que existia uma possibilidade e outras pessoas tiveram evoluções e fomos atrás”, conta a mãe.
    A família de Luiz Otávio é de Fátima do Sul, localizada a 240 km de Campo Grande, mas precisou se mudar para a capital de Mato Grosso do Sul devido ao tratamento que o jovem terá que seguir, incluindo a fisioterapia.
    Proteína aplicada 110 dias após acidente
    Jovem fez cirurgia no Hospital Militar de Campo Grande.
    Wolnei Zerviani/Reprodução
    A ação judicial para garantir o direito de Luiz Otávio a receber a polilaminina foi ajuizada no início de janeiro deste ano, quase três meses após o acidente que causou a lesão na medula, conforme explicou o advogado da família, Gabriel Traven.
    “A ação foi protocolada em uma sexta-feira e no sábado de manhã foi aprovada. O caso dele foi bem específico devido à janela terapêutica”, explica o advogado.
    O protocolo do estudo conduzido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o laboratório Cristália, prevê a aplicação da polilaminina em até 72 horas após a lesão medular, período classificado como janela terapêutica.
    ➡️🔎No caso específico de Luiz Otávio, a aplicação aconteceu 110 dias depois da lesão na medula. A autorização para aplicação no jovem foi concedida pelo laboratório Cristália, parceiro da UFRJ e responsável pela parte industrial do medicamento.
    Para a pesquisadora responsável pelo estudo, Tatiana Sampaio, do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, ainda não é possível afirmar que as aplicações feitas fora do prazo limite terão efeitos significativos.
    “Ainda são estudos e o que posso dizer é que quando uma lesão é crônica, com mais de três, quatro meses, a dificuldade [de regeneração] é maior por conta de todo o processo patológico”, comenta a pesquisadora.
    Tatiana também reforça que não é possível prever se a aplicação da polilaminina vai ter efeitos positivos ou se poderá gerar efeitos colaterais.
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    A lesão e a aplicação em Luiz Otávio
    Minutos antes da cirurgia de Luiz Otávio.
    Wolnei Zerviani/Reprodução
    A aplicação da polilaminina em Luiz Otávio aconteceu no dia 21 de janeiro de 2026, no Hospital Militar de Campo Grande. O procedimento durou cerca de 40 minutos, conforme relatou o neurocirurgião Wolnei Marques Zeviani, que acompanha o caso em Mato Grosso do Sul.
    De acordo com Zeviani, uma equipe de profissionais que compõe os estudos no Rio de Janeiro também participou do procedimento e segue acompanhando pós-operatório.
    “O Luiz sofreu uma lesão traumática que acometeu a medula espinhal, na região da vértebra C6, o que gerou a tetraplegia. Fizemos diversas análises e injetamos a polilaminina abaixo e acima da lesão”, explica o neurocirurgião.
    O médico reforça que só foi possível aplicar a substância em Luiz Otávio porque a lesão é considerada traumática aguda. O jovem perdeu movimentos parciais de braços e mãos e a sensibilidade total das pernas.
    “A polilaminina é uma proteína que estamos estudando sobre o efeito dela em lesões traumáticas medulares agudas ou subagudas. Então, o indicado são pacientes que sofreram uma lesão medular e têm uma deficiência de movimentos grave. Atualmente, essa aplicação está sendo feita em pacientes que tiveram a lesão em até três meses”, destaca.
    Ainda conforme o médico, pessoas que têm lesão medular há mais de seis meses ou anos não são estão sendo submetidos, por enquanto, ao tratamento.
    “O efeito desse medicamento sobre o tecido lesionado visa o crescimento do axônio, que é uma parte do neurônio que ainda tem capacidade de regeneração. Porém, pacientes com muito tempo de lesão não teriam mais esses neurônios para fazer a função da regeneração do tecido medular”, finaliza.
    O estudo da polilaminina
    A polilaminina é uma substância recriada em laboratório a partir da proteína natural laminina, encontrada na placenta humana. A substância tem a função de restabelecer as conexões de neurônios. Conforme Tatiana Sampaio, a substância pode atuar na regeneração de fibras danificadas nas lesões de medula causadas por traumas.
    “No caso de uma lesão medular, como a que ocorre no Luiz Otávio, em que houve uma interrupção da condução nervosa entre o cérebro e o restante do corpo, o que acontece é que as fibras nervosas são danificadas e a polilaminina faz com que essas fibras voltem a crescer”, explica a pesquisadora.
    Estudada pela professora há quase três décadas, a substância é a esperança de pacientes que sofreram lesão na medula espinhal e perderam movimentos parciais ou totais do corpo. Contudo, o caminho para que o medicamento possa chegar a hospitais e ao Sistema Único de Saúde (SUS) é longo e depende de uma série de etapas e análises rigorosas:
    Concluir os estudos da fase 1 que estão em andamento na Anvisa. Nesta etapa é analisada a segurança do medicamento com ensaios regulatórios em humanos.
    Ampliar os testes nas fases 2 e 3, em que é avaliada a eficácia, doses adequadas e efeitos adversos em populações maiores.
    Solicitar registro sanitário, para que o medicamento possa ser comercializado.
    Se aprovado, o medicamento será produzido somente como injeção intramedular, ou seja, para ser aplicado direto na medula para que ocorra o efeito de regeneração no local lesionado, conforme explicou a pesquisadora Tatiana Sampaio.
    “Não vai ser medicamento via oral e nem aplicação endovenosa, porque a polilaminina precisa ser aplicada diretamente no tecido. Ela é uma molécula grande e, se for injetada no sangue, a pessoa pode ter uma embolia”.
    Luiz Otávio é o paciente mais jovem a receber a polilaminina no Brasil.
    Loraine França/g1 MS
    Luiz Otávio, a mãe Viviane e o irmão, Fernando.
    Loraine França/g1 MS
    Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

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