A hipertensão arterial é o principal fator de risco associado a infartos, AVCs e insuficiência cardíaca no mundo, ficando atrás apenas do tabagismo como causa de morte no Brasil. Diante desse cenário alarmante, especialistas defendem que medir a pressão regularmente é uma medida simples que pode salvar vidas.
“Nós precisamos centrar esforços em prevenção o quanto antes”, afirma Álvaro Avezum, diretor do Centro Internacional de Pesquisa e do Departamento de Cardiologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Ele ressalta que, do ponto de vista econômico, é muito mais vantajoso prevenir do que tratar as consequências da hipertensão não controlada como um infarto e um AVC. “Considerando doenças cardiovasculares, pelo menos 70% é passível de prevenção”, diz Avezum.
Prevenção eficaz e acessível
Segundo os especialistas, cerca de 70% das doenças cardiovasculares são passíveis de prevenção. “Do ponto de vista de saúde pública, a medida mais custo efetiva que existe para a saúde é medir pressão”, destaca Decio Mion, professor Livre-Docente de Nefrologia da Faculdade de Medicina da USP. A medição da pressão arterial é considerada uma ação de saúde pública simples, que não requer aparelhos sofisticados e pode ser realizada tanto em estabelecimentos de saúde quanto em casa.
Avezum reforça que, em um estudo recente, a hipertensão foi identificada como o principal fator para redução de eventos cardiovasculares entre os 12 fatores de risco conhecidos. “Se você juntar tudo, infarto, AVC, insuficiência cardíaca, e alguém perguntar, escolha um fator que vai trazer maior redução em eventos, vai ser hipertensão”, afirma.
Como medir a pressão corretamente
A medição da pressão arterial em casa é considerada uma prática válida, desde que seguidas algumas orientações importantes. Mion explica que a medição residencial pode até ser diagnóstica de hipertensão, “desde que feita com aparelho confiável, a pessoa treinada, que meça 5 dias, antes do café da manhã, do almoço e do jantar três vezes”.
No entanto, os especialistas alertam para os riscos da automedição sem orientação médica. “O que acontece é uma neurose do paciente ficando medindo com o aparelho errado, da maneira errada, na frequência errada. E principalmente se automedica, que é a pior coisa que tem”, alerta Dr. Kalil. O recomendado é que a medição residencial seja feita seguindo as orientações de um médico, que determinará a frequência ideal e interpretará os resultados corretamente.
