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    'Eu não desisti, abri mão': a dolorosa jornada de quem decide aceitar a ideia de não ter filhos

    plastica famososBy plastica famososJanuary 19, 2026No Comments5 Mins Read
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    A ansiedade, frustração e esperança do mundo das tentantes
    Costuma-se dizer que, se você se esforçar o suficiente, você acabará conseguindo o que deseja. Mas, às vezes, a coisa mais difícil e corajosa a se fazer é parar de tentar.
    Depois de anos tentando formar uma família, incluindo a dolorosa montanha-russa dos tratamentos de fertilidade e um aborto espontâneo devastador no dia de Natal, Caroline Stafford descobriu que a única maneira de encontrar alguma paz novamente era aceitar que isso não iria acontecer e construir um futuro diferente.
    Mas isso significava superar o que ela chama de narrativa do “nunca desista”. Como muitas pessoas, Caroline e seu marido Gareth, que ela conheceu na escola, quase davam como certo que teriam filhos a seu tempo.
    “Passamos toda a vida tentando não engravidar. Eu simplesmente presumi que, assim que parasse de tentar não engravidar, isso aconteceria”, diz Caroline.
    Caroline e Gareth se conheceram na escola em Nottinghamshire, no Reino Unido
    Caroline Stafford
    No Brasil, o casal sem filhos foi a composição familiar que mais cresceu neste século, saltando de 13,0% em 2000 para 24,1% (ou 13,9 milhões) em 2022, segundo dados dos censos realizados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Já a proporção de mulheres no Brasil sem cônjuge e com filhos no total de unidades domésticas subiu de 11,6% em 2000 para 13,5% (ou 7,8 milhões) em 2022.
    Isso pode ocorrer por diversos motivos, incluindo escolha pessoal. Mas algumas simplesmente descobrem que a vida familiar que haviam imaginado não acontece.
    Após um ano tentando engravidar sem sucesso, Caroline e Gareth consultaram um clínico geral. Uma rodada de fertilização in vitro (FIV) no Reino Unido foi seguida por outras rodadas no exterior, um processo repleto de consultas ansiosas, medicamentos e injeções.
    Ao mesmo tempo, Caroline via suas amigas engravidarem e terem seus próprios bebês.
    “Ficamos absolutamente felizes por elas, mas a verdade é que era a pior coisa de ouvir”, Caroline conta ao programa Ready to Talk with Emma Barnett, da BBC.
    Para quem está na situação de Caroline, simplesmente ver um pai ou uma mãe com um carrinho de bebê pode ser doloroso, e às vezes gerar uma inveja constante.
    Esse sentimento a corroía, mudando quem Caroline era.
    “Sua visão de mundo fica menor e muitas vezes mais negativa. Comecei a não gostar muito de como estava me sentindo em relação às outras pessoas”, diz Caroline.
    As amigas diziam para não se preocupar, que acabaria acontecendo, ou que ela deveria parar de tentar, porque aí sim ela engravidaria.
    Então, em um mês de novembro, há seis anos, do nada, suas amigas se mostraram certas. Parar de tentar parecia ter funcionado. Ela engravidou.
    Caroline e Gareth moravam em uma grande fazenda, em Rutland (Reino Unido). Eles haviam acabado de se mudar para um pequeno chalé em uma vila, uma espécie de aceitação, em algum nível, de que a grande família com a qual sonhavam não aconteceria.
    À medida que a época festiva de final de ano se aproximava, começaram a compartilhar a boa notícia com amigos e familiares.
    Então, na manhã de Natal, Gareth saiu para cuidar do rebanho de leite. Quando ele voltou, ela já havia perdido o bebê.
    “Foi o momento, a forma como aconteceu. Simplesmente pareceu tão cruel”, disse.
    As lembranças daquele dia são vagas para ela. Mas ambos sentem que aquele foi o ponto de virada.
    “Parecia que ambos sabíamos que era hora de começar a tentar deixar ir”, diz ela, mas isso por si só exigiu um enorme esforço.
    “Naquele momento, eu não sabia se estava certa. Mas simplesmente começamos a seguir em frente”, conta.
    Caroline se dedicou totalmente ao trabalho. Durante a segunda rodada de fertilização in vitro, ela havia iniciado seu negócio, vendendo biscoitos com mensagens personalizadas.
    No começo, quando as pessoas diziam que o negócio era seu “bebê”, ela se irritava. Hoje, encontra conforto nisso. Afinal, é algo que ela tem cuidado e desenvolvido por uma década.
    Atualmente, Caroline tem uma equipe de 14 pessoas na padaria, envia seus biscoitos para todo o país e firmou parceria com uma empresa de flores por encomenda.
    Para Gareth, deixar a ideia de ter filhos ir significou repensar também totalmente seu trabalho. Ele está prestes a começar um novo emprego fazendo manutenção no campo de golfe em seu clube.
    As pessoas perguntam se Caroline considerou adoção, mas ela diz que “não era o caminho que escolhemos”.
    “A adoção não é apenas outra forma de se tornar pai ou mãe. É uma decisão importante.”
    Uma década de fertilização in vitro também mudou a relação de Caroline com o próprio corpo.
    “Eu estava focada nessa única coisa que ele não conseguia fazer”, diz.
    Começar a correr longas distâncias permitiu que Caroline mudasse sua relação com o próprio corpo
    Caroline Stafford
    Ela começou a correr longas distâncias e, em vez de se culpar pelo que seu corpo não conseguia, passou a celebrar o que ele podia fazer. Hoje, já completou quatro maratonas, inteiras e meia, enquanto Gareth está na sexta.
    “Eu amo a vida que tenho. Não sinto mais aquela perda direta. É uma tristeza diferente, mais suave agora.”
    Ela encontrou uma sensação maior de paz com o passar do tempo. Mesmo assim, ainda sente pontadas de culpa, perguntando-se se aceitar sua condição de não ter filhos significava que ela não queria o suficiente ou não se esforçou o bastante.
    Ela sabe que essa ainda é a mensagem do “não desista”, cutucando sua consciência.
    “Nos ensinam, ao crescer, que esforço é igual a resultado, mas muitas vezes não é assim que funciona. A vida ainda pode ter significado e propósito, mesmo quando parece drasticamente diferente do que você esperava.”

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