A saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro tornou-se um tema de intenso debate político, especialmente após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que a Polícia Federal tome o depoimento do presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM). Análise é de Clarissa Oliveira no Live CNN.
A decisão de Moraes veio após o CFM divulgar uma nota questionando a assistência médica prestada a Bolsonaro. Este episódio é interpretado pela analista de Política da CNN como mais um capítulo da já conhecida tensão entre o ex-presidente e o ministro do STF, que se estende há anos.
Segundo Clarissa, o que deveria ser uma questão puramente médica e técnica transformou-se em um instrumento político para o bolsonarismo manter o embate com ministro. “A gente passou os últimos anos todos assistindo a essa dinâmica de arqui-inimigos entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e Alexandre de Moraes”, destacou.
A jornalista ressalta que, embora Bolsonaro tenha questões de saúde importantes que requerem monitoramento rigoroso, o debate extrapolou o âmbito clínico.
Contradição entre discurso político e realidade médica
Um ponto importante destacado na análise é a aparente contradição entre o discurso político em torno da saúde de Bolsonaro e as declarações de seu próprio médico. Enquanto alguns aliados sugerem que o judiciário não estaria prestando o devido atendimento ao ex-presidente, o médico pessoal de Bolsonaro afirmou em entrevista coletiva que a lesão sofrida foi leve.
O médico mencionou preocupações com quadros de tontura e impactos na memória, que poderiam estar relacionados à combinação de medicamentos — um ajuste clínico que poderia ser realizado pelos próprios médicos de Bolsonaro, com o suporte dos profissionais do sistema prisional.
Clarissa Oliveira também lembrou que pedidos de prisão domiciliar por questões de saúde não são incomuns no sistema judiciário brasileiro, e que muitas vezes são negados. “Caso ele tenha condições de seguir preso sem sofrer nenhum risco adicional, um risco de piora do seu quadro clínico, ele deve permanecer na prisão, assim como todos os presos”, explicou.
