Aliados de Jair Bolsonaro estão preocupados não apenas com a saúde do ex-presidente, mas também com o impacto político que seus problemas médicos estão causando. Avaliação entre pessoas próximas é que Bolsonaro está desconectado da política devido às sucessivas situações que demandam atenção médica. A apuração é de Clarissa Oliveira, ao Live CNN.
Dentro da estratégia desenhada pelo campo político do ex-presidente, ele seria o grande condutor do processo eleitoral e da estratégia para lançar um candidato de direita capaz de competir com Lula. O escolhido para essa missão seria seu filho, Flávio Bolsonaro.
“Um grupo próximo do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliados fiéis, mostra-se preocupado com o efeito dessas questões de saúde na capacidade dele de se dedicar a essa articulação política tão necessária nesse momento”, apontou a analista.
Com o início do ano eleitoral, cresce a inquietação sobre como ficará a campanha de Flávio Bolsonaro. Embora o filho tenha autonomia para conduzir seu próprio processo eleitoral, pessoas próximas consideram fundamental a participação de Jair Bolsonaro nessa articulação.
Estratégia jurídica questionada
Nos bastidores, há também um debate sobre a estratégia adotada pela defesa do ex-presidente diante de sua situação de saúde. Familiares de Bolsonaro, como seu filho Carlos, têm travado uma intensa queda de braço com o Supremo Tribunal Federal, argumentando que os problemas de saúde justificariam a prisão domiciliar.
“O clima que sinto mesmo entre os apoiadores é de que há a sensação de que a prisão domiciliar está cada vez mais distante”, afirmou Clarissa Oliveira, acrescentando: “E o discurso da família chega a incomodar até mesmo quem apoia Bolsonaro”.
Carlos Bolsonaro, por exemplo, falou publicamente em “tortura” de seu pai pela situação de saúde que enfrenta na prisão, o que gerou desconforto em certos grupos políticos. Considerando o histórico de Jair Bolsonaro e questões relacionadas à ditadura, essa retórica causou incômodo político e pode estar prejudicando a estratégia para obter a prisão domiciliar. A avaliação de alguns aliados é que essa abordagem pode estar gerando prejuízos políticos para o bolsonarismo como um todo.
“Ninguém tem dúvida de que Jair Bolsonaro tem limitações de saúde, […] mas, estamos vendo uma queda de braço para viabilizar essa prisão domiciliar que não está surtindo o efeito esperado pela defesa de Bolsonaro”, disse a analista.
