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    Início » Neta de Carlos Alberto de Nóbrega é diagnosticada com câncer de mama aos 24 anos; como os subtipos da doença orientam tratamento
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    Neta de Carlos Alberto de Nóbrega é diagnosticada com câncer de mama aos 24 anos; como os subtipos da doença orientam tratamento

    plastica famososBy plastica famososJanuary 9, 2026No Comments6 Mins Read
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    Câncer de mama: Saiba identificar os sinais de alerta da doença
    A influenciadora Bruna Furlan, neta do humorista Carlos Alberto de Nóbrega, revelou nesta semana que foi diagnosticada com câncer de mama aos 24 anos. A idade da paciente e o fato de a doença já ter sido diagnosticada em estágio metastático colocam o caso fora do padrão mais comum do câncer de mama, que costuma ocorrer em mulheres acima dos 40 anos.
    Em um vídeo publicado nas redes sociais, Bruna contou que recebeu o diagnóstico no fim de dezembro de 2025. Segundo ela, trata-se de um carcinoma mamário invasivo do tipo não especial, com expressão de receptores hormonais, HER2 negativo e presença de metástases.
    “Quando descobri, fiquei muito revoltada e com uma sensação de injustiça. Pensei: ‘tenho 24 anos, como posso estar com câncer de mama?’”, afirmou.
    Ela disse que decidiu tornar o diagnóstico público para alertar outras mulheres jovens. “Descobri que o câncer de mama tem crescido entre mulheres mais novas, e isso me chocou muito”, relatou. Bruna afirmou ainda que deve iniciar o tratamento imediatamente, que inclui quimioterapia e cirurgia.
    Neta de Carlos Alberto de Nóbrega, Bruna Furlan, descobre câncer de mama aos 24 anos
    Reprodução/Instagram
    Câncer de mama não é uma doença única
    Embora o subtipo do tumor ajude a orientar o tratamento, na oncologia, ele é apenas uma parte da avaliação clínica. O câncer de mama não é uma doença única, mas um conjunto de condições com comportamentos biológicos distintos.
    Segundo o oncologista Stephen Stefani, da Oncoclínicas e da Americas Health Foundation, o manejo e o prognóstico dependem da análise conjunta de vários fatores.
    “O subtipo molecular é importante porque direciona as opções terapêuticas, mas não é o único elemento que define como a doença vai se comportar. O estadiamento, ou seja, a extensão da doença no momento do diagnóstico, tem um peso enorme na decisão do tratamento e no prognóstico”, explica.
    No caso de Bruna, o tumor apresenta receptores hormonais positivos e ausência da proteína HER2.
    Isso significa que o crescimento das células cancerígenas é estimulado por hormônios como estrogênio e progesterona, e que não há superexpressão do HER2 –uma proteína associada a tumores de crescimento mais acelerado. Ainda assim, a presença de metástases indica uma doença biologicamente mais agressiva.
    Bruna Furlan
    Reprodução/Instagram
    Quais são os principais subtipos de câncer de mama
    Para definir o tratamento, os médicos analisam marcadores do tumor em exames de imuno-histoquímica. Segundo Stephen Stefani, essa avaliação inclui três receptores principais —estrogênio, progesterona e HER2—, cuja combinação permite classificar a doença em grandes grupos biológicos.
    Esses subtipos ajudam a orientar a escolha das terapias, mas não determinam sozinhos o prognóstico. “O comportamento do câncer é resultado de um conjunto de fatores. Não existe uma característica isolada que defina como a doença vai evoluir”, explica o médico.
    De forma geral, os principais subtipos são:
    Luminal A. Tumores com receptores hormonais positivos (estrogênio e progesterona), HER2 negativo e baixa taxa de proliferação celular (Ki-67 baixo). Costumam crescer mais lentamente, responder bem ao bloqueio hormonal e, em média, têm melhor prognóstico.
    Luminal B. Também apresentam receptores hormonais positivos e HER2 negativo, mas com maior taxa de proliferação celular (Ki-67 alto). Têm comportamento mais agressivo do que o luminal A e, em alguns casos, exigem associação de quimioterapia ao tratamento hormonal.
    HER2 positivo. Se caracterizam pela superexpressão da proteína HER2, que estimula intensamente a multiplicação das células tumorais. Antes das terapias-alvo, eram associados a pior prognóstico. Hoje, medicamentos específicos ampliaram significativamente o controle da doença.
    Triplo negativo. Não expressam receptores hormonais nem HER2. Costumam ter evolução mais agressiva e imprevisível. O tratamento se baseia principalmente em quimioterapia e imunoterapia. É o subtipo mais frequentemente associado a pacientes jovens e a mutações genéticas hereditárias —embora não esteja presente em todos os casos nessa faixa etária.
    No caso de Bruna Furlan, foram divulgadas informações sobre a presença de receptores hormonais e a ausência de HER2, mas não foi informado se o tumor se enquadra no grupo luminal A ou luminal B, classificação que depende também da taxa de proliferação celular.
    Além disso, o especialista afirma que, independentemente do subtipo, o fato de a doença já ser metastática no momento do diagnóstico tem peso central na definição do tratamento e do prognóstico.

    Reprodução/Instagram
    O impacto da idade no diagnóstico
    Outro ponto que chama atenção no caso é a idade da paciente. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 75 mil novos casos de câncer de mama por ano. Apenas 7% a 10% ocorrem em mulheres com menos de 40 anos.
    “Quando uma paciente é muito jovem, isso acende um alerta para a possibilidade de mutações genéticas hereditárias, como as dos genes BRCA1 e BRCA2”, afirma Stefani.
    Essas alterações estão mais frequentemente associadas ao câncer de mama em idades precoces, embora não expliquem todos os casos.
    Em mulheres jovens, o diagnóstico também enfrenta desafios técnicos. As mamas tendem a ser mais densas, o que reduz a sensibilidade da mamografia.
    “O problema não é que a mamografia não seja indicada porque não exista risco, mas porque ela não é um bom exame nessa faixa etária”, explica o oncologista. Mesmo o ultrassom pode falhar em detectar lesões iniciais, o que dificulta o rastreamento precoce.
    Como o tratamento é definido
    A definição do tratamento leva em conta um conjunto de fatores, que vai além da classificação do tumor em subtipos. A avaliação inclui os marcadores analisados na imuno-histoquímica, mas também considera a extensão da doença no momento do diagnóstico, a velocidade de crescimento do tumor e as características clínicas da paciente.
    Ainda de acordo com o oncologista, tumores com expressão de receptores hormonais, como o de Bruna, permitem o uso do bloqueio hormonal como uma das principais estratégias terapêuticas.
    Esse tipo de tratamento atua “fechando as portas” pelas quais os hormônios estimulam o crescimento das células tumorais e pode ser usado sozinho ou combinado a outras abordagens.
    Nos últimos anos, o arsenal contra o câncer de mama hormonal positivo se ampliou com medicamentos mais modernos, como os inibidores de ciclinas (CDK4/6), que atuam diretamente no ciclo de divisão celular e ajudam a retardar a progressão da doença.
    Dependendo do comportamento do tumor, a quimioterapia também pode ser indicada, sobretudo quando é necessária uma resposta mais rápida.
    Quando a doença é metastática, a depender do local das metástases, o foco do tratamento pode deixar de ser a cura e passar a ser o controle da doença ao longo do tempo.
    “Há situações em que o câncer de mama metastático pode ser tratado como uma condição crônica, com pacientes vivendo por muitos anos com a doença controlada”, afirma Stefani. Ainda assim, o médico ressalta que o manejo é sempre individualizado e depende da resposta ao tratamento ao longo do acompanhamento.
    Ao tornar público o diagnóstico, Bruna disse esperar que seu relato ajude outras mulheres a se sentirem menos sozinhas. “Vai ser uma longa jornada de exames, tratamentos e aprendizados”, afirmou.

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